Antes de começar o post, um alerta: este texto contém dosagens
consideráveis de ironia. No caso de não compreensão, sugiro a visita a
algum blog de esmalte do dia :)
Recentemente, tive publicado na Revista Iara - uma das únicas
publicações científicas de moda do país - um artigo meu que fala sobre a
influência do Modernismo no vestir das mulheres paulistanas na década
de 1920. O texto é composto por alguns escritos meus que fazem parte de
um trabalho que realizei em grupo no ano retrasado, na Universidade de
São Paulo. (link para quem quiser ler o artigo
todo: http://bit.ly/aASVRZ).
Sex and the City em 1920... nessa temporada tinha uma mulher a mais...
Pois que num dos primeiros parágrafos do texto falo sobre duas coisas
que se chocam e se complementam ao mesmo tempo: cultura de elite e
cultura de massa. Essas são duas modalidades culturais bastante
parecidas. A primeira é feita pela elite, para a elite e a segunda é
feita pelo povão e para o povão e quando as duas se chocam é uma
loucura!
"Ma che cazzo isso tem a ver com as modas" pergunta a monete fashion?
("Muinto difisio!" FASHION, Monete)
Aquenda, bee! No começo do século XX, a pesquisadora Gilda de Mello e
Souza publicou um estudo chamado "O Espírito da Moda", um senhor livro
que esmiúça o sistema da moda no Brasil colonial. A que conclusão tia
Gilda chegou? A moda ainda seguia aquele velho mecanismo do Renascimento
- época em que a Moda como conhecemos teve início. No tempo de Da Vinci
e de Guttemberg, o sistema da moda funcionava da seguinte maneira,
simplificando bastante: A nobreza mandava fazer suas toaletes e
vestimentas e a burguesia copiava. A nobreza, querendo diferenciar-se da
burguesia, mandava fazer novas roupas e assim sucessivamente. Logo, a
nobreza ditava a moda e quando se percebia que aspectos da cultura de
elite haviam sido apropriados pela cultura de massa, eram promovidas
mudanças.
"Que arranjo de cabeça uó! Vou fazer o próximo no André Lima!"
O tempo passou, os tipos móveis ficaram obsoletos e o sistema da moda
mudou. ficou mais complicado. Depois da metade do século XX a cultura
popular abalou o reinado da cultura de elite. Claro que o assunto não é
tão simples assim. Nesse angu todo existe toda uma parte teórica sobre
legitimação, mas o texto precisa terminar hoje... A partir dos anos 1960
a moda parece ter abraçado definitivamente a cultura das ruas,
principalmente o modo de vestir dos jovens. Uma das maiores provas é a
jaqueta perfecto, ícone punk, desfilada em uma apresentação de alta
costura de Yves Saint Laurent.
Tudo isso para dizer que com o
tempo a turma aprendeu que, pelo menos na área do vestuário, nem tudo
que vinha do povão era porcaria. Na contemporânea, agitada e hypadinha
década de 2010, vivemos tempos em que o discurso de liberdade e de
quebra de preconceitos parece ter se institucionalizado - viva a
liberdade institucionalizada! - Vamos, ao mesmo tempo, salvar os
animais, as guedes, a camada de ozônio e os ursinhos carinhosos.
#CapitãoPlanetaFeelings
Olha o Capitão Planeta arrasando no colorsbroques!
No entanto, é só colocar o Michel
Teló para cantar que chovem ameaças de morte - e de suicídio também.
Mesmo tendo esse discurso sobre tolerância tão propalado, ainda somos
intolerantes àquilo que nos é estranho e alheio à nossa cultura. Michel Teló é cafona e de mau gosto, mas o mash up com A-ha é legal. Por quê? Por causa de uma coisinha chamada "legitimação".




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